Capítulo 1

Capítulo 1


A garota da cela em frente já tinha acordado e Thalia já conhecia seus "vizinhos" quando Dylan voltou carregado horas depois por guardas diferentes.
- O que acontece quando eles levam a gente? - Thalia finalmente conseguiu coragem pra perguntar, mas quem respondeu não foi Sophia.
- Basicamente somos torturados até uma experiência de quase morte todas as vezes. Mas às vezes somos só interrogados. Menos um ano de vida pra quem acertar o que fizeram com o Dylan hoje - Tyler falou, com empolgação fingida.
- Eu - Sam falou ao lado direito de Thalia - me escolhe, Tyler. Experiência de quase morte. Agora me deve um ano a menos de vida.
Sophia riu ao ver a cara de Thalia.
- Sabe, acho que a gente esqueceu de mencionar pra novata que não sairemos daqui nunca. Quero dizer, só quando morrermos no meio de uma experiência.
Thalia tentou fingir que não ligava, mas estava apavorada. Imaginou quanto tempo os outros já estavam lá para estarem tão conformados.
- Qual é o seu poder? - Florence, que ficava à direita de Sophia perguntou.
- Eu... Eu não sei bem...
- Ai que chato - Bela, que ficava à esquerda de Tyler, parecia revirar os olhos. A cela de Tyler era ao lado da de Sophia - O meu poder é entrar em coma às vezes. Na verdade é mais como se eu tivesse um mecanismo de fuga. Sempre que passo por um estresse, meu coração pára de bater, como se eu estivesse morta. Quando descobriram isso foi engraçado. Quero dizer, agora é engraçado. Eu tive apendicite aos dez anos e fui submetida à uma cirurgia. Quando terminaram, eu não respirava. Me consideraram morta e  o médico legista quis entender o que tinha me matado. Se era a apendicite ou negligência dos médicos. E quando ele começou a me cortar, o meu sangue começou a jorrar e eu gritei igual a uma condenada. Não sei como ele não teve um ataque cardíaco, mas sei que ele se aposentou depois disso.
- Sempre acho essa história engraçada - Sam comentou.
- Mas... mas isso é uma doença, não? Bela, existe uma doença com esse nome. Como era mesmo? - Thalia se esforçou para lembrar - Ah é, Catalepsia Patológica.
- Existe, eu sei. Mas os médicos disseram que meus sintomas não batem com o da doença. Meus músculos não ficam completamente rígidos e meu coração pára de bater por completo. Máquinas não conseguem ouvir. É estranho.
- Sophia não sente dor, Bela morre, Dylan fica invisível - Thalia parou por uns segundos para assimilar as coisas - e você, Tyler?
- O meu caso é... incomum. Eu sou o único que fica em um cantinho especial às vezes. Mas não gosto das piadinhas.
- Não entendo. Qual o seu... anh... poder?
- Licantropia?
- Licantropia? Tipo... lobisomem?
Thalia riu leve, mas parou ao perceber que era sério.
- Meu Deus, como assim você vira um lobisomem?
- Não é noite de lua cheia e não sou filho único mais novo de sete irmãs. Eu sofri uma mutação genética intencional.
- Tipo a do Homem-Aranha?
- Não. Ele foi um curioso descuidado  que foi picado por uma aranha geneticamente modificada. No meu caso, fui um dos jovens voluntários para a experiência com o vírus da raiva modificado.
- Voluntário?
- O que posso fazer? Eles prometeram um pagamento e eu precisava do dinheiro.
- Mas o que deu errado?
Tyler riu com escárnio.
- Pra eles? Nada. Esse era exatamente o planejado, mas esqueceram de me avisar. Quando saiu o tipo novo da doença, eles tentaram fazer uma vacina mais poderosa e descobriram que existia a possibilidade de modificar geneticamente e temporariamente o infectado. Fui o único sobrevivente ao teste.
- Você é... sempre um lobisomem? - Thalia perguntou.
- Não. Assim como Bela, apenas em ocasiões especiais. Quando sou induzido na sala de experiência e às vezes consigo controlar. Mas isso eles não sabem.
Thalia percebeu que ele sorria de satisfação por esconder algo dos pesquisadores e suspirou. Não sabia o que podia ser o seu poder. A não ser que...
- Eu solto fogo - ela falou de repente.
- Como assim? - Sam perguntou.
- Eu achei que fosse da minha imaginação, mas... Eu consigo soltar fogo com as mãos.
- Que legal - Bela exclamou - tipo o Tocha Humana.
- Não, acho que não. Ele consegue fazer no corpo todo. Eu só consigo soltar pelas mãos.

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